Em entrevista, o Dr. José Padrão Mendes fala sobre como o Neurofeedback pode ajudar as crianças a melhorar o sono, a aprendizagem e a regulação emocional.

O cérebro de uma criança pode aprender a regular-se melhor?
Quando uma criança se distrai com facilidade, dorme mal ou reage intensamente à frustração, é natural que os pais procurem respostas.
Mas nem sempre é fácil perceber o que está a acontecer.
Em entrevista à Business Voice, o neurologista e neuropsiquiatra Dr. José Padrão Mendes apresenta uma possibilidade ainda pouco conhecida por muitas famílias: o Neurofeedback.
A tecnologia não promete soluções instantâneas. Mas aproveita uma característica extraordinária do cérebro: a capacidade de aprender e de se reorganizar.
Um treino do comportamento que começa pela medição
O nome “Neurofeedback” pode parecer complexo, mas a explicação dada na entrevista é concreta:
“Através de sensores colocados no couro cabeludo, monitorizamos a atividade elétrica cerebral e transformamos essa informação em estímulos visuais ou auditivos que a criança vê num ecrã. Quando o cérebro funciona de forma equilibrada, o jogo ou vídeo avança; quando se desregula, o estímulo diminui.”
Os sensores não enviam impulsos para o cérebro: limitam-se a ler a sua atividade.
É o próprio cérebro que recebe informação sobre o modo como está a funcionar e vai aprendendo através de pequenas correções.
José Padrão Mendes compara este processo à aprendizagem de andar de bicicleta — uma imagem simples para uma técnica apoiada na neuroplasticidade natural do cérebro.
A neuroplasticidade, a possibilidade de “moldar” o cérebro e o seu comportamento, está no seu máximo durante a infância e adolescência — é por isto que se tratam as condições do neurodesenvolvimento em crianças e jovens de forma distinta.
O que pode mudar no quotidiano?
A entrevista percorre dificuldades como TDAH, ansiedade, perturbações do sono, desafios de aprendizagem e regulação emocional.
Mais do que enumerar condições, mostra como uma melhor organização cerebral se pode tornar visível na vida da criança:
“Professores e pais relatam melhorias na leitura, escrita, memória de trabalho e capacidade de seguir instruções. Quando o cérebro está mais estável, a aprendizagem deixa de ser uma luta e passa a ser uma oportunidade.”
Como se chega a esses resultados? O médico descreve um protocolo que começa com avaliação clínica e cartografia cerebral, avança para um plano personalizado e inclui medições periódicas do progresso.
Explica também quando podem surgir as primeiras mudanças, quantas sessões são habitualmente necessárias e por que razão o envolvimento da família influencia o percurso.
Nem choques, nem magia
Há dois mitos que a conversa desfaz sem rodeios. O primeiro é que o equipamento “dá choques”: “Falso. O equipamento apenas lê a atividade cerebral.” O segundo é que o Neurofeedback funciona como magia. A resposta é igualmente clara: “Não. É ciência, treino e consistência.”
Entre a curiosidade tecnológica e as dúvidas legítimas dos pais, a entrevista oferece uma explicação acessível sobre segurança, evidência científica, idade recomendada e possível articulação com outras terapias.
E deixa uma mensagem importante: “Diria que não precisam de esperar que as dificuldades cresçam para agir.”
Este texto antecipa apenas alguns momentos da conversa. Para conhecer a entrevista completa do Dr. José Padrão Mendes à Business Voice, leia a entrevista na íntegra aqui.