O Guia Completo para Compreender, Diagnosticar e Tratar
Cerca de 3 em cada 10 portugueses já foram diagnosticados com depressão, e mais de metade, 6 em cada 10, já sentiram sintomas depressivos em algum momento da vida. Os números reais, com os casos que nunca chegam ao consultório, estimam-se ainda bem superiores. Mas o que é mesmo a depressão? Será apenas um sentimento de tristeza prolongado?

É acordar e precisar de 15 minutos só para encontrar energia para se levantar. É sorrir automaticamente quando alguém pergunta como está, porque explicar que “está tudo em ordem mas nada faz sentido” é demasiado complicado.
É a culpa de se sentir assim quando “a vida não está assim tão má”. É cancelar planos pela terceira vez porque não consegue encontrar palavras para explicar que hoje levantar-se da cama já foi uma vitória. É ouvir “tens de te animar” e saber que quem o diz não entende que não é uma questão de vontade – é como pedir a alguém com uma perna partida para correr uma maratona.
Para quem vive com depressão, não é falta de dureza, ou apenas algo “psicológico”.
É uma doença com um impacto tremendo na forma como se vive e se interage com os outros, que altera a perceção da passagem do tempo, e chega a tornar irrelevantes os gostos e vontades mais fortes que se tinham.
Vamos mergulhar no que sabemos sobre a Depressão, e tentar compreendê-la para melhor a tratar.

🗂️ Índice de Conteúdos
- 🤔 1. O que é a Depressão?
- 📊 2. Tipos de Depressão
- ⚠️ 3. Sintomas e Manifestações
- 🧬 4. Causas e Fatores de Risco
- 🩺 5. O Diagnóstico da Depressão
- 💔 6. Impacto na Vida Diária
- ❤️🩹 7. Como se trata a Depressão?
- 🚨 8. Quando Procurar Ajuda Profissional
- 🛠️ 9. Lidar com a Depressão no Dia-a-Dia
- 🗣️ 10. Mitos e Verdades
- 🔗 11. Comorbidades Associadas
- 🇵🇹 12. Recursos e Apoio em Portugal
- 🏁 13. Conclusão
- ❓ 14. FAQ's sobre Depressão
O que é a Depressão?
A depressão é um transtorno mental que afeta o humor, os pensamentos, o comportamento e o bem-estar físico. Tem grandes diferenças para a tristeza passageira, a preguiça, ou a falta de força de vontade.
É hoje a principal causa de incapacidade no mundo.
O cérebro de uma pessoa com depressão demonstra algumas alterações mesuráveis.
Os níveis de neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina e dopamina estão desregulados. Áreas responsáveis pela regulação emocional, como o córtex pré-frontal e o sistema límbico, mostram atividade alterada.
A depressão também é, mas não apenas:
- Estar triste após um evento negativo
- Cansaço ou preguiça
- Falta de vontade
A depressão é e contém:
- Persistência de sintomas (+ 2 semanas)
- Impacto na funcionalidade diária, em diversos ambientes
- Alterações neurológicas e químicas no cérebro
- Sinais que são difíceis de distinguir da mera tristeza
Os números são claros: pelo menos uma em cada quatro ou cinco pessoas terá depressão ao longo da vida. Isto significa que provavelmente conhece alguém que passa ou já passou por isto. Ou talvez esteja a passar por isto neste momento.
É muito importante que possamos compreender esta condição o quanto possível – podemos, ao longo da vida, ajudar-nos a nós, aos que nos são próximos, e a milhares de pessoas com quem nos cruzamos.
A depressão afeta todas as áreas da vida. Trabalho, relações, saúde física, capacidade de sentir prazer. Para algumas pessoas, até as tarefas mais simples do dia-a-dia se tornam montanhas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica, na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), vários tipos de transtornos depressivos.
Tipos de Depressão
A depressão não é igual para toda a gente. Existem diferentes tipos, cada um com as suas características.
Compreender qual é o tipo da depressão é fundamental para encontrar o tratamento mais adequado.
Transtorno Depressivo Maior
Este é o tipo mais comum. Caracteriza-se por episódios depressivos intensos que podem ser únicos ou recorrentes. Os sintomas são graves e interferem gravemente na vida quotidiana.
Algumas pessoas têm apenas um episódio na vida. Outras experimentam vários ao longo dos anos.
Transtorno Depressivo Persistente (Distimia)
Os sintomas são menos intensos que na depressão maior, mas são crónicos. Duram pelo menos dois anos, muitas vezes décadas.
É como viver permanentemente com um peso sobre os ombros. Há dias melhores e dias piores, mas nunca se está verdadeiramente bem.
Há casos em que, além deste tipo, há episódios de depressão maior sobrepostos, numa condição chamada “depressão dupla”.
Depressão com Características Melancólicas
Marca-se pela incapacidade total de sentir prazer ou qualquer tipo de satisfação, mesmo temporariamente. Nada consegue melhorar o humor, nem que seja por momentos.
Os sintomas são tipicamente piores pela manhã. Acordar é particularmente difícil.
Há alterações psicomotoras visíveis: movimentos muito lentos ou, pelo contrário, agitação marcada. Perda significativa de apetite e peso. Sentimentos profundos de culpa.
Depressão Atípica
O nome engana: é bastante comum. A característica principal é a “reatividade do humor” – a capacidade de se sentir temporariamente melhor quando acontece algo positivo.
Outros sintomas incluem aumento do apetite e do peso, necessidade excessiva de dormir (hipersónia), sensação de peso nos braços e pernas, e extrema sensibilidade à rejeição.
Esta sensibilidade pode afetar profundamente as relações.
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
Vai muito além da síndrome pré-menstrual comum. Os sintomas depressivos são graves e surgem na semana anterior à menstruação.
Melhoram significativamente após o início do ciclo. Incluem humor deprimido intenso, ansiedade, irritabilidade, e interferência marcada com o trabalho e relações.
Depressão Psicótica
Ocorre quando a depressão grave é acompanhada de delírios ou alucinações. O conteúdo é geralmente negativo: ideias de culpa, ruína, doença grave, ou punição.
Requer sempre tratamento especializado urgente.
Depressão Pós-Parto
Surge após o nascimento e é muito diferente do “baby blues” normal. Afeta a capacidade de cuidar do bebé e de funcionar.

Sintomas e Manifestações da Depressão
A depressão não afeta apenas o humor – afeta corpo e mente, e altera hábitos, rotinas e comportamentos ao longo do tempo.
Sintomas Emocionais
Humor Deprimido Persistente
Não é apenas tristeza – muitas pessoas descrevem como um vazio, uma ausência de sentir. Dias cinzentos mesmo quando o sol brilha.
Perda de Interesse Generalizada (Anedonia)
A anedonia é central: perda de interesse ou prazer em atividades que antes davam satisfação. Hobbies abandonados, convites recusados, indiferença face a coisas que antes importavam.
Sentimento de Culpa Constante
Sentimentos de culpa, inutilidade ou inadequação são comuns. A pessoa sente-se um fardo para os outros. Tudo parece culpa sua, mesmo quando claramente não é.
Perda de Esperança
A desesperança instala-se. O futuro parece negro, sem possibilidade de melhora.
Irritabilidade
Pequenas contrariedades provocam reações desproporcionais.
Sintomas Cognitivos
Dificuldades de Concentração
A concentração fica comprometida. Ler um artigo, seguir um filme, manter uma conversa – tudo exige esforço acrescido.
Falhas de Memória
A memória falha. Esquecimentos frequentes criam um sentimento de frustração.
Incapacidade de Tomar Decisões
Decisões simples tornam-se impossíveis. “O que vou comer ao almoço?” pode gerar ansiedade paralisante.
Tempo de Reação Reduzido e Lentidão no Raciocínio
O pensamento fica lento. As palavras não vêm facilmente. Processar informação demora mais tempo.
Pensamentos Relacionados à Morte
Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio podem surgir. Desde desejos passivos (“gostava de não acordar”) até ideação suicida com planeamento.
Sintomas Físicos
Insónia ou Hipersónia
As alterações do sono são muito comuns. Insónia (dificuldade em adormecer, despertares frequentes, despertar precoce) ou o oposto – hipersónia, dormir 12, 14, 16 horas e continuar exausto.
Perda ou Ganho Significativo de Apetite
O apetite muda. Algumas pessoas perdem completamente o interesse em comer, perdendo peso significativo. Outras desenvolvem compulsão alimentar, ganhando peso.
Fadiga Constante
A fadiga é constante. Não é o tipo de cansaço normal que melhora com descanso. É exaustão profunda, presente desde o acordar.
Dores e Desconforto Sem Causa Evidente
Dores físicas sem causa médica aparente são frequentes. Dores de cabeça, dores musculares, desconforto gastrointestinal.
Lentidão Psicomotora e/ou Hiperatividade
Movimentos e fala podem ficar visivelmente lentos (lentificação psicomotora) ou surgir agitação constante – incapacidade de estar quieto.
Perda ou Desaparecimento da Líbido
A líbido diminui ou desaparece.
Tabela-Resumo
| Categoria | Sintomas Principais |
| Emocionais | Humor deprimido, anedonia, culpa, desesperança, irritabilidade |
| Cognitivos | Dificuldade de concentração, problemas de memória, indecisão, pensamentos lentos, ideação suicida |
| Físicos | Alterações de sono, alterações de apetite, fadiga, dores, lentificação/agitação, diminuição da líbido |
Padrões Temporais
A depressão pode ser persistente, cíclica ou sazonal.
A depressão persistente não tem intervalos de bem-estar ou alívio significativo dos sintomas.
A depressão cíclica apresenta oscilações grandes, repetidas, com grandes diferenças entre os altos e os baixos.
A depressão sazonal está associada à estação do ano, agravando frequentemente no outono/inverno e melhorando na primavera/verão.
Quanto às manifestações ao longo do dia, também há grandes diferenças.
Na depressão melancólica, os sintomas são tipicamente piores pela manhã. Acordar é a parte mais difícil do dia.
Pode haver muita variação ao longo do dia. Algumas pessoas sentem uma ligeira melhoria à noite, a exemplo, enquanto outras sentem angústia associada à insónia, e à ansiedade de ter de acordar cedo no dia seguinte.
Sinais de Alerta Urgentes
Alguns sintomas são especialmente graves, e exigem por isso ação imediata:
- Pensamentos suicidas com ideações e planeamento concreto
- Intenção de se magoar (automutilação)
- Negligência grave do autocuidado (não comer, não beber água, descartar total da higiene diária)
- Isolamento prolongado em casa (+ 14 dias sem contacto físico com o exterior)
- Sintomas psicóticos (delírios, alucinações)
- Incapacidade total de funcionar ou hipersónia prolongada (+14 dias com sono diário superior a 10 horas)

Causas e Fatores de Risco
A depressão não tem uma causa única. Resulta, como acontece com quase todas as condições neuropsiquiátricas, da interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Além de alguns destes fatores serem consequências da depressão, surgindo por outras causas, podem ser direta ou indiretamente, e geralmente em conjunto, causadores da condição.
Fatores Biológicos
Genética
Ter um familiar próximo com depressão aumenta o risco 2 a 3 vezes. Mas a genética não é destino – muitas pessoas com histórico familiar nunca desenvolvem a condição.
Alterações Neuroquímicas
Desequilíbrios nos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina, dopamina) estão bem documentados e associados à condição. Estas substâncias químicas regulam humor, motivação e prazer.
Alterações na Estrutura do Cérebro
Estudos de neuroimagem mostram diferenças no hipocampo, amígdala e córtex pré-frontal de pessoas com depressão.
Disfunções Hormonais
A estrutura cerebral que regula a resposta ao stress (eixo hipotalâmico-hipofisário-suprarrenal), funciona de forma anormal em muitos casos de depressão.
Fatores Psicológicos
Crenças e Padrões de Pensamento Negativo
Padrões de pensamento negativos aumentam a vulnerabilidade à expansão da condição. Ver-se a si próprio, o mundo e o futuro através de lentes negativas cria um ciclo que se auto-perpetua.
Inseguranças
Baixa autoestima, perfeccionismo rígido, e tendência para se culpar por tudo criam um terreno fértil para a depressão.
Traumas
Traumas psicológicos, especialmente na infância, deixam marcas profundas. Abuso, negligência, ou perdas significativas aumentam o risco.
Fatores Sociais e Ambientais
Eventos de vida “stressantes”, e o stress patológico (crónico) são frequentemente o gatilho:
- Luto e perdas
- Separação ou divórcio
- Perda de emprego ou dificuldades financeiras
- Problemas de saúde, próprios ou de pessoas próximas
- Mudanças drásticas de vida
- Conflitos relacionais graves
O isolamento social é tanto causa como consequência. A falta de amparo/apoio social aumenta a vulnerabilidade e a probabilidade de sofrimento prolongado. É muito importante manter uma rede de pessoas próximas, e falar sobre o seu estado de espírito e as dificuldades que enfrenta.
Fatores Demográficos em Portugal
As mulheres são significativamente mais afetadas: 16,4% sofrem de depressão crónica, face a 7,5% dos homens. Esta é a maior disparidade de género na Europa nos números de depressão.
O nível socioeconómico demonstra ter muito impacto. Pessoas com rendimentos baixos, o que representa a grande fatia da população portuguesa, apresentam taxas mais elevadas de depressão, tendo muitas vezes dificuldade em ter a ajuda e o suporte necessários.
Condições Médicas Associadas
Várias doenças físicas aumentam o risco de depressão. Há algumas frequentemente associadas:
- Doenças oncológicas (cancro)
- Doenças cardiovasculares
- AVC
- Doença de Parkinson
- Dor crónica
- Diabetes
- Distúrbios da tiróide
Existem alguns fármacos, utilizados no tratamento de outras condições de saúde, que estão associados e podem desencadear ou agravar a depressão: medicamentos para a hipertensão, estatinas, corticoides, etc.

O Diagnóstico da Depressão
O diagnóstico da depressão é clínico. Não existe um exame de sangue ou exame de imagem cerebral que confirme a condição.
O diagnóstico é feito por um médico psiquiatra ou psicólogo clínico, através de uma avaliação cuidadosa.
O Processo Diagnóstico
A consulta começa com uma entrevista detalhada (anamnese). O profissional pergunta sobre os sintomas: o que sente, desde quando, e como afeta a sua vida.
É feita uma investigação do histórico pessoal e familiar, de eventos de vida recentes, medicamentos que toma ou tomou etc.
O exame do estado mental, utilizado frequentemente, avalia o humor e padrões de pensamento e comportamento. Como fala, como se movimenta, como interage.
Exames laboratoriais podem ser pedidos – não para diagnosticar depressão, mas para excluir outras causas médicas, e eventualmente ajudar na distinção dos tipos. Problemas de tiroide, por exemplo, podem causar sintomas semelhantes.
Critérios DSM-5
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) estabelece critérios específicos para o diagnóstico do tipo mais comum, o Transtorno Depressivo Maior:
São necessários 5 ou mais dos seguintes sintomas, durante o mesmo período de duas semanas:
- Humor negativo na maior parte do dia, quase todos os dias
- Perda acentuada de interesse ou prazer
- Alteração significativa de peso ou apetite
- Insónia ou hipersónia quase todos os dias
- Agitação ou lentificação psicomotora observável
- Fadiga ou perda de energia
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
- Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se
- Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio
Obrigatoriamente, pelo menos 1 dos seguintes sintomas deve estar presente:
- Humor negativo
- Perda de interesse ou prazer
Além disso devem verificar-se os seguintes 3 pontos:
- Os sintomas causam sofrimento significativo ou comprometimento funcional
- Não são atribuíveis a substâncias químicas ou outra condição médica
- Nunca houve um episódio maníaco ou hipomaníaco
Gravidade
Fora os tipos que são sempre graves, como a depressão psicótica, há diferentes níveis de intensidade atribuídos ao diagnóstico. Eis as 3 classificações:
Leve: Poucos sintomas verificados além do mínimo necessário para o diagnóstico. O comprometimento funcional (no dia-a-dia) é ligeiro.
Moderada: Sintomas e comprometimento entre leve e grave.
Grave: Quase todos os sintomas presentes. Comprometimento muito marcado das atividades. Pode incluir características psicóticas.
Instrumentos de Avaliação
São utilizadas internacionalmente diferentes escalas padronizadas que ajudam a quantificar a gravidade, de forma a orientar o tratamento. Eis algumas:
- Escala de Hamilton para Depressão
- Inventário de Depressão de Beck (BDI)
- PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9)
Estas ferramentas não diagnosticam sozinhas, mas auxiliam o profissional.
Desafios
Em Portugal, o intervalo entre o início dos sintomas e o tratamento médico é, em média, de cinco anos. É tempo demais.
Apenas 25 a 35% das pessoas com depressão acedem a cuidados médicos no primeiro ano de sintomas.
O estigma ainda é enorme. Muitas pessoas têm dificuldade em reconhecer que estão doentes ou sentem vergonha de procurar ajuda. É muito importante o trabalho de consciencialização, que remove a barreira da vergonha, e salva vidas todos os dias.
Depressão em Crianças e Adolescentes
Nos mais jovens, a depressão pode manifestar-se de forma diferente. A irritabilidade geralmente predomina sobre a tristeza como o sintoma mais visível. Problemas comportamentais ou de rendimento escolar podem ser sinais da condição.
A avaliação especializada é crucial, e os critérios devem sempre ser adaptados à idade.

Impacto da Depressão na Vida Diária
No trabalho ou estudos:
- Faltas frequentes (absentismo)
- Estar presente mas não produzir (presentismo)
- Dificuldade de concentração
- Erros mais frequentes
- Relações com colegas deterioram-se
- Risco real de perda de emprego ou abandono escolar
Nas relações sociais:
- Isolamento progressivo
- Cancelamento constante de compromissos
- Amizades perdem-se por falta de contacto
- Sentimento de incompreensão: “ninguém entende”
- Dificuldade em explicar o que sente
- Culpa por “decepcionar” os outros
Na família:
- Tensão nas relações com cônjuge ou parceiro
- Dificuldade em cumprir responsabilidades domésticas
- Impacto nos filhos (quando há)
- Sentimentos intensos de culpa por “não ser suficiente”
- Conflitos aumentam
Na saúde física:
- Maior risco de doenças cardiovasculares e AVC
- Sistema imunológico comprometido
- Agravamento de condições médicas existentes (diabetes, hipertensão…)
- Negligência do autocuidado básico
Na saúde mental:
- Comorbidades frequentes: ansiedade em cerca de metade dos casos
- Risco de abuso de substâncias (compulsões ou auto-medicação)
- Risco de suicídio: em 70% dos suicídios há depressão envolvida
A depressão não tratada tende a piorar com o tempo. As consequências acumulam-se, e o sofrimento intensifica-se.
Mas há esperança. O tratamento ponderado e cuidado funciona. É imperativo que nunca deixe de acreditar em tempos melhores.

Como se trata a Depressão?
Ao contrário de outras condições de base neurológica, a depressão é uma condição tratável – é possível a remissão completa dos sintomas. Em muitos casos, os sintomas nunca mais retornam.
A abordagem mais eficaz combina sempre diferentes terapêuticas, adaptadas ao caso concreto e às suas necessidades específicas.
Tratamento Farmacológico
Os antidepressivos são medicamentos utilizados para depressões leves a graves. Eis alguns dos mais utilizados:
ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina)
São geralmente a primeira escolha. Incluem fluoxetina, sertralina, escitalopram, paroxetina.
Aumentam a disponibilidade de serotonina, um neurotransmissor responsável pela regulação de um conjunto vasto de funções do corpo, e especialmente do cérebro. Regulação do humor, dos ciclos de sono-vigília, do apetite e da digestão, da concentração e memória, da dor, e até do sistema imunitário.
IRSN (Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina)
Venlafaxina e duloxetina. Além da serotonina, atuam na disponibilidade de noradrenalina. A noradrenalina é um “acelerador” do corpo e da mente – é fundamental para manter o estado de alerta, a energia e a motivação, e a capacidade de concentração.
Antidepressivos Tricíclicos
Amitriptilina, imipramina, clomipramina ,nortriptilina. São utilizados quando os ISRS e IRSN não apresentam a eficácia desejada. Embora eficazes, tendem a ter mais efeitos secundários.
IMAOs (Inibidores da Monoaminoxidase)
Para uso em casos específicos – requerem cuidados alimentares especiais. Impedem a ação desta enzima, monoaminoxidase, que quebra neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, cuja abundância melhora o humor.
Efeitos Secundários Comuns e Apontamentos Importantes
O efeito terapêutico dos antidepressivos não é imediato. São necessárias 2 a 4 semanas para se sentirem os primeiros efeitos positivos.
É fundamental tomar conforme prescrito, mesmo quando começa a sentir-se melhor. Interromper abruptamente pode causar sintomas de descontinuação.
Eis alguns dos efeitos secundários mais frequentes:
- Náuseas
- Problemas gastrointestinais
- Disfunção sexual
- Ansiedade
- Insónia/sonolência
- Aumento de peso
- Cefaleias
Comunicar sempre ao médico estes e outros efeitos indesejados permite reajustar o tratamento. É da maior importância o contacto próximo com o médico.
Psicoterapia
A Psicoterapia e o Acompanhamento Psicológico são fundamentais no tratamento da depressão. Para casos ligeiros a moderados, pode ser suficiente por si só.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
É a terapia psicológica com maior evidência científica para a depressão. Está classificada como tratamento de primeira linha.
A TCC ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento negativos. Estes pensamentos automáticos, que emergem do subconciente (“sou um falhado”, “nada vai melhorar”, “ninguém gosta de mim”), alimentam e mantêm a depressão.
Eis algumas estratégias práticas muito utilizadas:
- Reconhecer pensamentos distorcidos
- Questionar a validade destes pensamentos
- Desenvolver perspectivas alternativas mais realistas
- Resolver problemas de forma estruturada
- Ativar comportamentos e reações positivas
A ativação comportamental é especialmente importante.
A depressão gera um ciclo vicioso: sentir-se mal leva a fazer menos e ao receio da falha, e fazer menos reduz fontes de prazer e satisfação, o que agrava a depressão.
Quebrar este ciclo através da retoma gradual de atividades é fundamental.
A TCC típica dura 12 a 20 sessões, mas muitas pessoas mantêm a psicoterapia como um hábito para sempre, pelos benefícios que lhe reconhecem.
Terapia Interpessoal (TIP)
Este tipo de terapia foca-se em detalhe nas relações e transições de vida. É particularmente eficaz quando a depressão está relacionada com:
- Luto ou perdas
- Conflitos interpessoais
- Transições de papéis (reformar-se, tornar-se pai/mãe…)
- Déficits nas competências sociais
É uma terapia de em média 12 a 16 semanas, com objetivos claros e progressão estruturada.
Outras Abordagens Psicológicas
Terapia de Resolução de Problemas, Mindfulness, e Terapia de Aceitação e Compromisso também mostram excelente eficácia.

Neuroterapia – Estimulação Magnética Transcraniana
A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) representa um avanço significativo no tratamento da depressão. Trata-se de uma técnica não invasiva (não cirúrgica) e indolor, com taxas de eficácia muito elevadas, sendo que tem perto de 0 (zero) incidência de efeitos secundários. Possui nível A de evidência científica para o tratamento da depressão – a classificação mais elevada.
Como Funciona
A EMT utiliza pulsos magnéticos para estimular áreas específicas do cérebro. Uma bobina é colocada junto à cabeça, gerando um campo magnético que atravessa o crânio sem dor.
O alvo é normalmente o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo – área fundamental na regulação do humor. Em pessoas com depressão, esta região apresenta atividade reduzida.
Os pulsos magnéticos modulam a atividade neuronal e equilibram os níveis de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina. Além disso, promovem a plasticidade cerebral – a capacidade do cérebro de se reorganizar e criar novas conexões.
Para quem é indicada:
- Preferência por tratamento não farmacológico: Quem procura alternativas sem medicação.
- Depressão resistente ao tratamento: Cerca de 30% das pessoas não respondem adequadamente aos antidepressivos. Para estes casos, a EMT mostrou-se muito eficaz.
- Intolerância a medicamentos: Pessoas que não conseguem tolerar os efeitos secundários dos antidepressivos.
- Complemento ao tratamento: Pode ser combinada com psicoterapia e farmacoterapia para resultados superiores e, especialmente, mais duradouros.
O Tratamento
Cada sessão dura entre 20 a 40 minutos. Não requer anestesia ou sedação.
A pessoa está acordada e alerta durante todo o procedimento e pode prosseguir com as suas atividades normais imediatamente após.
A melhora geralmente surge entre a primeira e a segunda semana.
Os estudos mostram taxas de resposta crescentes com os protocolos otimizados desenvolvidos nos últimos anos.
Segurança
A EMT é segura e bem tolerada. Aqui pode ver a comparação de eficácia e taxas de efeitos secundários com a terapia farmacológica. Os efeitos secundários são mínimos – ocasionalmente desconforto leve no local de aplicação ou dor de cabeça ligeira.
Não tem os efeitos secundários típicos dos antidepressivos (ganho de peso, disfunção sexual, sonolência etc.).
Na NeuroPsyque o nosso compromisso é, como sempre, proporcionar-lhe a maior expectativa de melhoria possível.
Dispomos dos mais especializados equipamentos e especialistas em áreas como a Neurologia, a Psiquiatria e a Neuropsicologia, e ainda em terapêuticas como a Estimulação Magnética Transcraniana, que se tem revelado central no tratamento da Depressão. Marque a sua consulta connosco!

Quando Procurar Ajuda Profissional
Saber quando procurar ajuda pode salvar vidas.
Deve procurar ajuda se:
- Os sintomas de depressão persistem por mais de duas semanas
- A capacidade de trabalhar, estudar ou manter relações está comprometida
- Tarefas diárias básicas tornaram-se muito difíceis
- Está a isolar-se progressivamente
- Há pensamentos recorrentes de morte ou suicídio
- Está a usar álcool ou substâncias para lidar com os sentimentos
- Sintomas físicos persistentes sem causa médica identificada
- Familiares ou amigos expressam preocupação
É urgente contactar ajuda agora, de imediato, se:
- Tem pensamentos suicidas com planeamento concreto
- Tem intenção de se magoar
- Apresenta sintomas psicóticos (delírios, alucinações)
- Está em negligência grave do autocuidado
- Sente que está em perigo
Contactos de emergência
- 112 – Número de Emergência Nacional (24h)
- 1441 – Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico
- SNS 24: 808 24 24 24 (opção 4 para apoio psicológico) (24h)
- SOS Voz Amiga: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 | 800 209 899 (15h30 – 00h30)
- Conversa Amiga: 808 237 327 | 10 027 159 (15h – 22h)
- Vozes Amigas de Esperança de Portugal: 222 030 707 (16h – 22h)
- Telefone da Amizade: 222 080 707 (16h – 23h)
- Voz de Apoio: 225 506 070 | sos@vozdeapoio.pt (21h – 00h)
Seja qual for o nível de sofrimento que carrega, não espere que as coisas melhorem sozinhas. A depressão não tratada tende a piorar. Quanto mais cedo se começar o tratamento, melhor o prognóstico.
Procurar ajuda não é definitivamente sinal de fraqueza – é sinal de coragem para quebrar a inércia, que tem muita força, e requer mais força para quebrar.

Como Lidar com a Depressão no Dia-a-Dia
Há condições cujo tratamento depende quase na totalidade do que se faz e se define no consultório.
No tratamento da depressão não é o caso.
Uma grande parte da melhoria acontecerá fora do consultório. É por esse motivo que são tão importantes 2 coisas:
- O trabalho dentro do consultório orientado e a pensar na preparação do trabalho que é feito fora dele
- A dedicação e ímpeto com que se “atacam” os pilares da vida com maior potencial de melhoria (que agora vamos abordar)
Rotina e Estrutura – Uma Vitória de Cada Vez
Tente manter horários regulares para dormir e acordar. Mesmo que não durma bem, levante-se à mesma hora.
Estabeleça pequenas metas diárias. “Hoje vou tomar banho” ou “hoje vou sair 10 minutos” são objetivos válidos e importantes.
Dividir tarefas grandes em passos pequenos pode ser essencial no processo. As pequenas vitórias vão-se acumulando, e são um motor de motivação.
Celebre as pequenas conquistas. Não tem de subir a montanha de uma só vez. Levantou-se da cama quando foi extremamente difícil? É uma vitória real. Uma vitória de cada vez.
Medicina é Movimento | Movimento é Medicina
O exercício físico, além de uma necessidade primal, tem um poder inestimável na saúde e no bem-estar a longo prazo, e a curto prazo efeito antidepressivo comprovado.
Não há fórmulas nem protocolos rígidos que tenha de seguir.
Intenso ou pouco intenso; estático ou em deslocamento; em grupo ou sozinho, a ouvir música ou em meditação … escolha o que goste de fazer, o que lhe traga desafio, e lhe permita tornar o exercício numa necessidade que não consegue evitar.
30 minutos de caminhada diária fazem diferença. Mesmo que faça outro tipo de atividade física, pondere a caminhada para relaxar e meditar.
Comece devagar se não está habituado. Cinco minutos contam. Depois aumente gradualmente.
Alimentação Consciente e Consistente
Tente fazer refeições regulares, mesmo que não tenha fome. O corpo precisa de combustível.
Procure aprender sobre a alimentação, e as necessidades funcionais do corpo.
Uma dieta rica em proteínas e gorduras saudáveis é, na maior parte dos casos, a melhor opção. Evite excesso de açúcar a todo o custo, e modere o consumo de cafeína.
Procure conhecer os seus biomarcadores, através de análises (ao sangue, a exemplo), de forma a poder, junto de um profissional, colmatar as lacunas de nutrientes. A hidratação adequada é também fundamental.
Descanso como Prioridade
O sono é tão importante como a ação, e não deve estar condicionado pela conclusão de outras tarefas.
Não há nenhuma orientação específica que tenha de seguir, além dos princípios-chave para um sono de qualidade, reparador, que permite o bom funcionamento de corpo e mente.
Vá para a cama e levante-se à mesma hora todos os dias. Crie uma rotina de sono.
O quarto deve ser fresco, escuro e silencioso. Evite ecrãs antes de dormir, a todo o custo. (Sugestão: Leia um livro sobre algo que realmente goste, e que lhe gere vontade de continuar a ler no dia seguinte)
Se não conseguir adormecer após 30 minutos de deitar a cabeça na almofada, levante-se e faça algo calmo até sentir sono.
Conexões Sociais
A depressão alimenta-se do isolamento. Tente manter contacto com amigos e família, mesmo que sejam mensagens breves, e mesmo que seja difícil.
Participe em atividades sociais, mesmo que por períodos curtos. Não precisa de ficar horas – aparecer 20 minutos já ajuda.
Seja honesto sobre as suas necessidades. “Gostava de ir, mas só consigo ficar meia hora” é perfeitamente válido.
Seja Gentil Consigo
A auto-crítica é devastadora. Fale consigo como falaria com um amigo por quem tem admiração.
Antes de mais, reconheça que ninguém “é” depressivo. A depressão é um estado, uma condição temporária.
Há casos de depressão crónica, com base neurológica forte, em que alguns sintomas são muito persistentes, podendo durar décadas, mas na grande maioria dos casos atinge-se a remissão completa de muitos sintomas.
Mitos e Verdades sobre a Depressão
O estigma em torno da depressão ainda é enorme. Muitas crenças erradas impedem muitas pessoas de procurar ajuda.
Vamos desfazer alguns mitos:
| ___MITO___ | VERDADE |
| “Depressão é só tristeza” | A depressão é uma doença médica que afeta cérebro, corpo e comportamento. É muito mais do que tristeza – envolve alterações neurobiológicas concretas e visíveis. |
| “É falta de força de vontade” | A depressão altera a estrutura e o funcionamento do cérebro. Não se supera apenas com “pensamento positivo” ou “força de vontade”, tal como não se cura a diabetes somente com força de vontade. |
| “Antidepressivos criam sempre dependência” | Os antidepressivos não criam sempre dependência. Os calmantes e sedativos, onde se incluem alguns antidepressivos, têm mais probabilidade de criar dependência. Ainda assim, há sempre essa possibilidade. |
| “Quem tem depressão está sempre triste” | Muitas pessoas com depressão sentem mais anedonia (incapacidade de sentir prazer), uma espécie de vazio, do que propriamente tristeza. Algumas sentem irritabilidade, outras demonstram apatia. A tristeza é, no entanto, um dos sintomas mais presentes. |
| “Isso vai passar sozinho” | A depressão não tratada raramente melhora sozinha e pode tornar-se crónica. O diagnóstico precoce e o tratamento atempado são fundamentais. |
| “Só afeta pessoas frágeis” | A depressão pode afetar qualquer pessoa, independentemente da força de caráter, inteligência ou estatuto social. Não é definitivamente sinal de fraqueza. |
| “Falar sobre isso piora” | Falar com um profissional qualificado ou pessoa de confiança é parte importante da recuperação. Expressar os sentimentos ajuda, não prejudica. No entanto, há uma grande variabilidade nas necessidades de diferentes casos. Em certos casos, a resposta pode ser menos o afrontamento dos pontos de dor e sofrimento, e mais o retirar do foco das causas da dor. As duas abordagens podem ser utilizadas no mesmo processo de tratamento, em fases distintas. |
| “Se consegue trabalhar, não é grave” | Muitas pessoas com depressão grave mantêm as aparências no trabalho através de um esforço imenso, mas sofrem profundamente. Muitas vezes, é quando se está pior que se sorri mais. Isto requer muita atenção e deve ser estudado por todos nós. A funcionalidade externa não reflete necessariamente o sofrimento interno. |
| “Há pessoas que SÃO depressivas” | Ninguém é depressivo por natureza, nem de forma interminável. Com tratamento adequado, muitas pessoas recuperam completamente e seguem a sua vida normal. Mesmo em casos recorrentes, os episódios podem ser prevenidos ou geridos eficazmente. Lembre-se – 6 em cada 10 portugueses já sentiram sintomas depressivos. |
Combater o estigma é responsabilidade de todos.
A depressão é tão real quanto a diabetes, a hipertensão ou qualquer outra doença crónica.
É a doença MAIS INCAPACITANTE a nível mundial, em números.
Merece toda a seriedade e compreensão.
Procurar tratamento é sinal de coragem e autocuidado, não de fraqueza.
A recuperação não é apenas possível – é comum. Milhares de pessoas recuperam todos os anos.
Falar abertamente sobre saúde mental, e difundir conhecimento sobre a condição, como este artigo procura fazer, é a chave para reduzir o estigma e salvar mais vidas.

Comorbidades Associadas à Depressão
A depressão raramente surge isolada. Frequentemente coexiste com outras condições.
Ansiedade (25-50% dos casos)
Depressão e ansiedade sobrepõem-se frequentemente. Muitas pessoas têm ambas ao mesmo tempo.
Eis algumas perturbações específicas de ansiedade que frequentemente coexistem:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada
- Transtorno de Pânico
- Fobia Social
Esta é uma combinação que complica o quadro de saúde e piora o prognóstico se não for tratada. Felizmente, existem tratamentos que funcionam para ambas.
Abuso de Substâncias
Algumas pessoas com depressão recorrem ao álcool ou a drogas numa tentativa de auto-medicação e de procura do alívio temporário do sofrimento.
Isto cria um ciclo perigoso.
Este tipo de substâncias agrava a depressão a longo prazo e complica o tratamento. No fundo, mascara a dor mas enfraquece ainda mais os hábitos e a rotina, o que ajuda a agravar os sintomas.
Neste caso, o tratamento deve abordar ambos os problemas simultaneamente. Muitas pessoas recuperam de ambas as condições.
Doenças Físicas Crónicas
A relação entre a depressão e doenças físicas é bidirecional.
O que significa isto?
Significa que tanto a depressão é muitas vezes causada e agravada por doenças físicas, como as doenças físicas são muitas vezes potenciadas/aumentadas pela depressão. A doença física pode causar depressão, e a depressão pode agravar doenças físicas.
Eis algumas condições frequentemente associadas:
- Doenças cardiovasculares – a depressão aumenta risco de enfarte
- Diabetes – gestão pior quando há depressão
- Dor crónica e fibromialgia – levam frequentemente à depressão
- Doenças autoimunes – levam frequentemente à depressão
- Cancro – leva frequentemente à depressão
Outros Transtornos Psicológicos
Transtorno Bipolar
As fases depressivas do transtorno podem ser confundidas com depressão major. Mas o tratamento é diferente – é crucial fazer o diagnóstico correto.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo
Pode coexistir com depressão. Muitas vezes causa.
Perturbação de Stress Pós-Traumático
Frequentemente acompanhada de depressão.
Transtornos Alimentares
Anorexia, bulimia e depressão frequentemente ocorrem juntas.
Diferenciações Importantes
Depressão vs. Luto Normal vs. Luto Patológico
Um processo de luto especialmente difícil, acompanhado de sintomas típicos da depressão, é apelidado pela medicina de Luto Patológico Prolongado.
No Luto Normal, há ondas de tristeza intercaladas com memórias positivas da pessoa perdida. A capacidade de sentir momentos de prazer mantém-se.
O Luto Patológico prolonga-se por mais de 12 meses, e envolve geralmente dificuldade severa em aceitar a perda, ainda que contenha alguns dos sintomas mais característicos da depressão, como a anedonia (perda de interesse generalizada).
Por este motivo, esta condição merece um diagnóstico independente (DSM-5-TR).
Mesmo tendo muitos sintomas em comum, a abordagem ao tratamento é geralmente diferente.
Depressão vs. Burnout
O burnout é cada vez mais comum, e está especificamente relacionado com o trabalho. Há esgotamento profissional e diminuição da performance no trabalho e na vida pessoal.
O burnout tem um tratamento breve, dependente de mudanças específicas no estilo de vida.
Pode levar no entanto à depressão – é determinante um diagnóstico rápido.
Depressão vs. Tristeza Normal
A tristeza é um sentimento, uma resposta proporcional a eventos negativos. Melhora gradualmente com o tempo e não interfere gravemente com o funcionamento do dia-a-dia.
A depressão é persistente, além do esperado, e interfere significativamente com a vida corrente.
A possível presença de todas estas comorbidades sublinha a importância de uma avaliação completa e profissional. Não basta tratar apenas um aspeto – a pessoa como um todo precisa de ser considerada.
Em condições como a Depressão, é mais importante o médico conhecer “A pessoa que tem a doença” do que “A doença que a pessoa tem”.
Na NeuroPsyque, a nossa abordagem integrada entre especialidades permite precisamente isto: uma visão completa, e um tratamento abrangente.
Recursos e Apoio Disponíveis em Portugal
Nunca estará sozinho. Há muitos recursos disponíveis em Portugal para apoio a casos de depressão.
Linhas de Apoio Gratuitas
| Serviço | _Contacto_ | Horário |
| Linha de Emergência Nacional | 112 | 24h/dia |
| Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico | 1441 | 24h/dia |
| SNS 24 – Aconselhamento Psicológico | 808 24 24 24 (opção 4) | 24h/dia |
| SOS Voz Amiga | 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 | 800 209 899 | 15h30 – 00h30 |
| Conversa Amiga | 808 237 327 | 210 027 159 | 15h – 22h |
| Vozes Amigas de Esperança de Portugal (VOADES) | 222 030 707 | 16h – 22h |
| Telefone da Amizade | 222 080 707 | 16h – 23h |
| Voz de Apoio | 225 506 070 | 21h – 00h |
Associações de Apoio
| Organização | Descrição |
| ADEB – Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares | Apoio psicossocial individualizado, grupos de suporte, workshops psicoeducativos, prevenção do suicídio |
| APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima | Apoio a vítimas de crimes, incluindo suporte psicológico |
| Ordem dos Psicólogos Portugueses | Informação e recursos sobre saúde mental |
Conclusão
A depressão é uma condição, um estado, e não parte da identidade. Existe em vários tipos, com diferentes grupos sintomáticos e abordagens de tratamento.
É uma das condições de saúde mental mais prevalentes em Portugal. Estima-se que cerca de 12% da população sofre de depressão crónica. Mais de 1 milhão de casos, fora todos os casos de depressão episódica, com números ainda superiores.
Os números são preocupantes. Portugal lidera a União Europeia em depressão crónica. nº1.
Mas há uma mensagem fundamental que precisa de ecoar: a depressão é tratável.
A Estimulação Magnética Transcraniana representa esperança. É uma inovação transformadora, particularmente para casos resistentes ao tratamento farmacológico.
A abordagem integrada – combinando diferentes terapêuticas a pensar na pessoa, e não só em apagar os sintomas – oferece os melhores resultados.
Quanto mais cedo procurar ajuda, melhores são as expectativas. O intervalo médio de 5 anos entre sintomas e tratamento em Portugal é demasiado longo. Cada dia de sofrimento evitável é um dia a mais.
A recuperação é possível. Acontece. Milhares de pessoas recuperam da depressão todos os anos. Com um tratamento bem ponderado e adequado, pode voltar a sentir-se bem. Pode voltar a encontrar significado e prazer na vida.
O caminho pode ser desafiante. Haverá dias melhores e dias piores. Mas não tem de percorrê-lo sozinho.
Se reconhece estes sintomas em si ou em alguém próximo, não espere.
Na NeuroPsyque, damos o nosso melhor, e o melhor que a medicina moderna tem para oferecer.
A sua vida tem valor incondicional – lute por ela e pelos que precisarão de si.
↓ Deixe as suas questões – teremos todo o gosto em responder!
FAQ’s sobre Depressão
1. A depressão tem cura?
A depressão é tratável e muitas pessoas recuperam completamente. Com tratamento adequado, cerca de 60-75% das pessoas experimentam melhora significativa dos sintomas. Algumas pessoas têm apenas um episódio na vida, outras podem ter recorrências que requerem tratamento de manutenção. Mesmo em casos recorrentes, a gestão eficaz permite uma vida plena e satisfatória.
2. Quanto tempo demora a recuperar de uma depressão?
Varia conforme a pessoa e a gravidade da depressão. Com tratamento, muitos sentem melhora inicial em 2 a 4 semanas, mas a recuperação completa pode levar 3 a 6 meses ou mais. Depressões mais graves ou de longa duração podem necessitar de mais tempo. O tratamento precoce geralmente resulta em recuperação mais rápida. A melhora é gradual – os pequenos progressos acumulam-se.
3. Posso tratar a depressão sem medicamentos?
Sim, especialmente em casos ligeiros a moderados. A Psicoterapia Cognitivo-Comportamental é eficaz, e a Estimulação Magnética Transcraniana é outra alternativa aos fármacos extremamente eficaz. No entanto, em casos moderados a graves, a combinação de diferentes tratamentos (psicoterapia, medicação, neuroterapia) costuma oferecer os melhores resultados. Um profissional especializado na condição ajudará a determinar a melhor abordagem para o seu caso específico.
4. Os antidepressivos mudam a minha personalidade?
Normalmente, não. Se sentir que um medicamento está a mudar a sua personalidade e a ter efeitos negativos no seu humor e na sua energia, deve comunicar ao médico – pode ser necessário ajuste de dosagem, mudança de fármaco ou mesmo interrupção do tratamento.
5. E se os antidepressivos não funcionarem?
Cerca de 30% das pessoas têm depressão resistente ao tratamento farmacológico tradicional. Isto não significa que não há solução. Nestes casos, a Estimulação Magnética Transcraniana mostrou-se particularmente eficaz, com taxas de resposta elevadas (58% de eficácia pós-falha farmacológica).
6. O que é a Estimulação Magnética Transcraniana para a depressão?
É uma técnica não invasiva aprovada internacionalmente que usa pulsos magnéticos focalizados para estimular áreas específicas do cérebro relacionadas com o humor. Funciona modulando a atividade neuronal e reequilibrando neurotransmissores. Tem nível A de evidência científica (a classificação mais elevada) para o tratamento da depressão. Não requer anestesia, e tem o grande benefício de ter efeitos secundários mínimos, permitindo retomar atividades imediatamente após cada sessão.
7. A depressão pode voltar depois do tratamento?
Pode haver recorrências, especialmente em pessoas com história de múltiplos episódios. Por isso, tratamento de manutenção (psicoterapia contínua, medicação preventiva, ou ambos) pode ser recomendado após a recuperação. Aprender estratégias de gestão, reconhecer sinais de alerta precoces, e manter hábitos saudáveis reduz significativamente o risco de recaída. O seguimento regular com um especialista também ajuda a prevenir ou detetar precocemente novos episódios.
8. Como posso ajudar alguém com depressão?
Ouça sem julgar. Valide os sentimentos da pessoa (“compreendo que estás a sofrer”). Encoraje-a a procurar ajuda profissional e ofereça o seu suporte e proximidade. Seja paciente – a recuperação leva tempo. Evite frases como “anima-te”, “há pessoas em pior situação” ou “é só força de vontade”. Aprender sobre a natureza da mente será útil sempre.
9. A depressão é hereditária?
Há um componente genético na depressão. Ter um familiar próximo com depressão aumenta o risco de diagnóstico 2 a 3 vezes. No entanto, a genética não é destino. Muitas pessoas com histórico familiar nunca desenvolvem depressão, e muitas pessoas sem histórico desenvolvem. Factores ambientais, psicológicos e sociais são muito importantes. Ter um familiar com depressão significa maior vigilância e atenção a sintomas, não que inevitavelmente desenvolverá a condição.
10. Exercício físico ajuda mesmo na depressão?
Sim, a evidência é robusta. Exercício regular tem efeito antidepressivo comprovado, comparável a muitos medicamentos em alguns estudos, e sem os efeitos indesejados. 30 minutos diários de atividade moderada (como caminhada) é suficiente para colher os benefícios. O exercício aumenta neurotransmissores relacionados com o humor, promove neurogénese (criação de novos neurónios) e melhora o sono e a autoestima. Começar com pequenos passos é importante – 5 minutos contam. O importante é incorporar a atividade física na sua vida.
11. Quanto tempo dura a primeira consulta na NeuroPsyque?
As nossas consultas são alargadas precisamente para permitir compreensão completa e aprofundada da situação. A primeira consulta dura geralmente entre 60 a 90 minutos. Este tempo permite ao médico ouvir a sua história com atenção, fazer avaliação detalhada, esclarecer todas as dúvidas, e discutir em conjunto o melhor plano de tratamento personalizado. Não fazemos consultas apressadas – o seu bem-estar merece tempo e atenção.
12. Por que escolher a NeuroPsyque para tratar a minha depressão?
Oferecemos uma abordagem verdadeiramente integrada entre especialidades (Neurologia, Psiquiatria, Neuropsicologia, Fisioterapia e PNEI), e um tratamento moldado especificamente a si. Dispomos de equipamento de última geração, desde EMT, à tDCS, ao Neurofeedback, às terapias de Fisioterapia, à Acupuntura, entre outras terapêuticas. O nosso foco está em resolver causas, e não apenas controlar sintomas – a melhoria deve ser geral, e duradoura. Trabalhamos para poder dar a melhor expectativa de melhoria possível a quem nos procura.
Disclaimer Médico:
Esta informação é educacional e não substitui consulta médica profissional. O diagnóstico e tratamento da depressão devem ser feitos exclusivamente por profissionais qualificados (psiquiatras ou psicólogos clínicos). Se tem pensamentos suicidas ou está em crise, contacte imediatamente o 112, SNS 24 (808 24 24 24, opção 4) ou a linha 1411. A sua vida tem valor incondicional e há ajuda disponível.