Na saúde mental, escutar também faz parte do tratamento

Há consultas em que a informação cabe no tempo disponível, mas a pessoa não. Ficam perguntas por fazer, silêncios são interrompidos, e uma história reduzida aos sintomas mais urgentes. O que se perde quando isto acontece?

Tempo, presença e cuidado: outro olhar sobre a saúde mental

A propósito do Dia Mundial do Cérebro, e após as experiências internacionais em diferentes continentes e a criação de um projeto inovador em Portugal, a Clínica NeuroPsyque, o neurologista e neuropsiquiatra Dr. José Padrão Mendes falou à Revista Business Portugal sobre um modelo de saúde que procura aproximar ciência e cuidado.

A entrevista é breve, mas deixa uma ideia a ecoar: escutar não é apenas uma etapa antes do tratamento — tem de ser uma constante num acompanhamento que quer ser eficaz.

Quando uma história vale mais do que uma lista de sintomas

Ao refletir sobre o seu trajeto, José Padrão Mendes não começa por destacar equipamentos, a tecnologia, números ou diagnósticos. Começa por aquilo que considera mais importante:

“A NeuroPsyque nasceu do encontro entre ciência e cuidado. Cresceu porque escutou histórias, não sintomas. Porque viu pessoas, não diagnósticos.”

Esta passagem sugere uma diferença simples, mas decisiva. Um sintoma pode ser registado rapidamente; uma história exige contexto, confiança e disponibilidade.

É nesse espaço que certos detalhes, aparentemente insignificantes ou dispersos podem ser as peças centrais de um diagnóstico assertivo.

Presença, não apenas duração

Ter tempo, não ter a sensação de “pressa”, faz toda a diferença, especialmente nas áreas ligadas ao cérebro e à mente.

Devem ser criadas condições para que o medo, a dúvida e até o silêncio possam ser ouvidos:

“O tempo é onde a cura respira. Quando alguém se sente visto sem pressa, algo dentro acalma e abre espaço para confiar. O tempo permite que o silêncio fale e que o medo encontre nome.”

Quanto impacto pode esta presença ter na relação entre médico e doente, na adesão ao tratamento e na eficácia das intervenções?

A resposta completa está na entrevista, onde o médico resume a sua posição numa frase: “Na NeuroPsyque, o tempo não é duração: é presença. E a presença transforma.”.

Ciência que amplia a relação humana

Esta defesa da simples escuta não rejeita a inovação.

Pelo contrário, a crescente procura por soluções não farmacológicas e não invasivas — como a Estimulação Magnética Transcraniana — ocupa uma parte importante da conversa.

A tecnologia pode tornar os cuidados mais precisos e personalizados, desde que não tente ocupar o lugar da relação humana: “A tecnologia não substitui a relação: amplia-a.”

A entrevista termina com um convite à prevenção e ao cuidado integrado.

Este texto revela apenas algumas passagens da conversa. Para conhecer a entrevista completa do Dr. José Padrão Mendes à Revista Business Portugal, leia a entrevista na íntegra aqui.

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